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A Falácia do Planejador, Entenda Porque Seus Planos Não Dão Certo


A falácia do planejador — entenda porque seus planos não dão certo

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Amigos da imaginação, inimigos da produtividade.


Alexandre Magno Querino A. Silva Published in Filosófica Mente 4 min read Dec 7, 2021

Photo by CHUTTERSNAP on Unsplash

Ah… que delícia é planejar. Sentar no sofá, pegar uma folha de papel e começar a rabiscar coisas. Circular, indicar, ordenar… E fica tão bonitinho um planejamento bem feito: organizado, fiel, contendo todas as etapas do projeto. É tão belo que posso até comentar por aí sobre ele, afinal, se gabar de planos é realmente a primeira fase produtividade, não? Melhor que isso só a satisfação de carinhosamente deixá-lo numa gaveta, acumulando poeira, para sempre.

Eu sempre fui um planejador. São incontáveis os planos grandiosos ou modestos que já fiz. Tenho até culpado a Netflix por isso (embora sem muito resultado), alguns filmes e séries me deixam empolgadíssimo e me dão ideias incríveis de coisas que eu poderia fazer no futuro.

Mas, enfim, a verdade é que fazer planos é uma atividade muito prazerosa, muito mesmo. Enquanto planejamos algo, fantasiamos sobre como será depois que concluirmos esse plano. É quase como se já pudéssemos colher os doces frutos de uma árvore que ainda nem foi plantada.

No entanto, trabalhar nem sempre é algo tão proveitoso assim. Se dedicar numa série de tarefas pode ser uma chatice sem tamanho, exigindo muito de nossa força de vontade.

Recentemente, lendo How To Take Smart Notes (Sönke Ahrens, 2017), descobri a falácia do planejador. Essa falácia consiste na inferência injustificada de que o ato de planejar fará com que você, consequentemente, conclua os planos. Para mim, isso foi um choque. Eu realmente adoro planejar, mas executar… aí já é outra história!

Este livro me introduziu ainda mais no zettelkasten, método que Anderson havia me apresentado. Esse método consiste na criação de um sistema pessoal de notas, na qual você pode gerir seu conhecimento de forma eficaz. O zettelkasten lhe ensina, quer você queira ou não, que ter uma estrutura, um sistema, é muito melhor que fazer planos. E basta você abrir uma pasta e começar a preencher com algumas notinhas.

Photo by David Travis on Unsplash

Veja o meu caso, meu trabalho é basicamente escrever e ensinar. Eu produzo artigos, roteiros, livros, e-books, etc. Eu até tenho uma mente fértil, pelo que me parece, tenho várias ideias de coisas sobre as quais poderia escrever. Tenho uma longa, e inútil, lista de temas e ideias de produções. E lá está ela esquecida há meses. Mesmo que um dia eu acorde super motivado e pince um tema da lista para trabalhar, o quê eu escreveria? Por onde começar? Constantemente eu me via preso no dilema da página em branco. Consequentemente, meus planos seguiam na gaveta.

Hoje a coisa é bem diferente, vou explicar o que fiz para sair do fundo desse poço. Para isso, convido-lhe inicialmente a pensar um pouco sobre execução de tarefas.

Digamos que você precise escrever uma redação, sobre um tema qualquer.

Se você começa planejando, criando tópicos, determinando por onde pretende caminhar com seu projeto, você se limita e se prende a coisas que nem existem. Veja, como você pode antecipar que um assunto deve vir antes do outro, ou que é melhor concluir com uma ou outra ideia? Simples: você não sabe. Planejar causa a sensação de controle sobre o processo de produção, apenas uma doce ilusão.

Suponhamos outro caso, e se, ao invés de planejar, você decide buscar estudar sobre o assunto?

Nesse ponto você pode estar achando que estou sendo injusto agora. “Todo mundo vai estudar o assunto antes de escrever sobre, né? Duh!”. Eu sei, mas estou propondo que você se jogue no tema sem expectativas, sem planos. Isso não é todo mundo que faz. Mas não termina por aí, tem mais.

E se, ao invés de um plano, você tiver um sistema pessoal de produção? Vou explicar. Digamos que você decida mergulhar no tema da sua redação, antes de escrever o texto, você deve, então, escrever algumas notas com suas ideias sobre o assunto.

Veja que agora você tem em mãos um material autoral: suas notas sobre o tema. Revisando suas notas você pode perceber que uma ideia sempre leva à outra, que existem conexões entre os conteúdos. Explore, desenvolva, e escreva mais notas.

No meio desse processo você vai perceber que a redação que você queria naturalmente brota em sua mente. Não deixe esse insight escapar, escreva! O poder de um zettelkasten está justamente lidar de modo inteligente e sistemático com seu próprio conhecimento.

Acredite em mim, o poder criativo de um apanhado de notas é infinitamente superior se comparado com uma projeção abstrata e vazia de um plano qualquer. Aliás, você não precisa acreditar em mim, faça o teste você mesmo!

Photo by Will Porada on Unsplash

Essas concepções simplesmente mudaram minha forma de produzir. É um método que faz você render mais, trabalhando menos. Sem ansiedade, sem dilema da página em branco e nem nada do tipo. Quando você cria um zettelkasten, você nem sequer precisa de força de vontade ou motivação. Afinal, estrutura ativa o fluxo de trabalho, planos não.

Ainda cético sobre isso? Considere ler meu e-book de introdução ao zettelkasten: Notas inteligentes: tudo que a escola não lhe ensina sobre estudar.

Referências: